
Gomo
Quem não se lembra de canções pop – da melhor pop que alguma vez se fez em Portugal, como Feeling Alive, Proud To Be Bald, Santa’s Depression, I Wonder, ou It’s All Worth It ?
Canções pop feitas com ousadia, charme, sentido de humor e uma descarada tendência para a melodia? Pois bem, o seu autor, Gomo, está de volta aos discos com um novo álbum em que as fronteiras da pop – se já antes não existiam – são agora quebradas de vez. Produzido por Nuno Rafael (dos Humanos; desde há alguns anos também na direcção musical e na produção dos espectáculos e discos de Sérgio Godinho), o novo disco é mais orgânico que o anterior – Best of Gomo, de 2003 – mas igualmente aventureiro na exploração dos (não) limites da canção pop. Dez novas canções, fresquinhas, fresquinhas, e de uma assentada só.
Durante a década de 90, muitas foram as bandas de um micro-clima rock a destacarem-se no panorama nacional. Esse micro-clima, só aparentemente inesperado, eram as Caldas da Rainha. E é numa dessas bandas, os Orange, que cresce como músico e compositor Paulo Gouveia, o mesmo que em Janeiro de 2001 decide criar o seu alter-ego perfeito: Gomo (e a ironia percebe-se melhor quando se pensa no nome da sua antiga banda). Afastando-se da matriz rock do seu antigo projecto, Paulo Gouveia apaixona-se pelas sonoridades de alguns teclados vintage – dois órgãos Hammond e um GEM – e é neles que compõe os primeiros temas enquanto Gomo. Temas pop, divertidos e com sabor universal que, reunidos numa maqueta, seduzem divulgadores de rádio e jornalistas como Henrique Amaro, Nuno Calado, António Sérgio e Nuno Galopim. Um tema seu, Be Careful With The Train, entra na colectânea «Optimus 2001».
E o ano fica também marcado pelos seus concertos em importantes festivais como Vilar de Mouros, Sudoeste, Paredes de Coura ou Festival do Tejo, ficando o final do ano marcado com o tema Santa’s Depression, uma canção (ou anti-canção?) de Natal, a convite de Henrique Amaro. No ano seguinte, a canção O Ser Português integra a colectânea «Mundial 2002 – CD Não Oficial», editada pela Universal e Gomo passa o ano em concertos onde desenvolve um apurado sentido estético audiovisual.
A necessidade de um disco de longo fôlego torna-se premente e, em 2003, juntamente com o respeitado produtor Mário Barreiros, grava o seu álbum de estreia, ironicamente intitulado «Best Of Gomo», editado pela Universal em 2004. O disco permanece no Top de vendas nacional durante algumas semanas e é extremamente bem acolhido pela crítica; uma recepção que se estende às audiências de festivais – Sudoeste, Vilar de Mouros, Paredes de Coura e Festival do Tejo – e da sua digressão de cerca de cem datas, com paragens internacionais em Los Angeles, Nova Iorque e Itália.
Do álbum foi extraído o single Feeling Alive – o tema mais conhecido e amado de Gomo, com mais de 50 mil downloads, entrada para o Top italiano de singles e difusão em anúncios televisivos e como tema de telenovelas.
Para além das já referidas participações em colectâneas, destacam-se também a inclusão de temas de Gomo nas compilações «Now 10», «New Wave», «SIC Radical» e «Universal Thailand»; o prémio «Novo Artista» (Gala SIC, 2004), nomeações para os Prémios MTV EMA 2004 (naquela que foi a primeira nomeação de um artista português nestes prémios) e 2005 e «Melhor Artista Nacional» (Globos de Ouro SIC, 2005); ou a inclusão de «Feeling Alive» na banda-sonora do filme «Fin de Curso» são outros marcos inesquecíveis na carreira de Gomo, que se prepara agora para voltar à estrada, mostrando os seus (já) clássicos e muitas canções novas.



